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Beja ou Beija?
A curiosidade sobre o Mito Dona Beja

Anna Jacintha de São José, personagem da história de Araxá, aqui viveu na primeira metade do século XIX.

Com o apelido de Dona Beja ou Dona Beija tornou-se conhecida. Em torno da sua história de vida construiu-se o mito, hoje incorporado à nossa cultura.

Para explicar a origem desse apelido é preciso recorrer à tradição popular. Isso porque, na documentação existente, as referências a ele aparecem somente a partir do final do século XIX, após a morte da personagem, ocorrida em 1873. Antes, Anna Jacintha era identificada, nos documentos oficiais, pelo próprio nome, é claro, e não pelo apelido.

A literatura e a tradição têm associado o significado do apelido à beleza da flor chamada beijo (denominação popular do hibisco) ou ao beija-flor (ave que, segundo Aurélio Buarque de Holanda, alimenta-se de néctar das flores e de insetos minúsculos).

Existe uma terceira referência a respeito do nome Beja: lugar em Portugal cujo habitante é conhecido por “bejense”.
Os autores que escreveram romances envolvendo a personagem utilizaram-se das grafias Beja ou Beija. Vejam alguns dos principais:

Dr. Waldir Costa justificou a sua opção por escrever Beja pelo fato de o apelido indicar uma “linguagem íntima”, modificada para o gênero feminino e que eliminou, com o “dengue de linguagem”, a letra i do ditongo ei.
Agripa de Vasconcelos, Leonilda Montandon Scarpellini e Calmon Barreto decidiram, também, pela grafia Beja. Dona Beija (com i) foi a grafia usada pelo memorialista Sebastião de Affonseca e Silva e pelos escritores Maria Santos Teixeira e Thomas Leonardos. Este último é autor do romance que inspirou a telenovela da Rede Manchete, motivo pelo qual a grafia Beija foi, inicialmente, veiculada na televisão.

A mesma versão (Beija) constou do trabalho desenvolvido pelo G. R. E. S. Beija-Flor de Nilópolis e apresentado no carnaval carioca de 1999.
Museu Histórico de Araxá - Dona Beja, Fonte Dona Beja, Dona Beja Park Hotel, Café Dona Beja são, também, exemplos em que se optou por Beja e não Beija. A primeira tem sido a forma adotada pela Fundação Cultural Calmon Barreto na divulgação das suas pesquisas.

Os leitores podem perceber que os critérios são subjetivos e que lhes é permitido, como tem mostrado a tradição, escrever Beja ou Beija.


Fonte:
Arquivos do Setor de Arquivos, Pesquisas e Publicações.
P.S.: Os livros e trabalhos dos autores citados encontram-se na Fundação Cultural Calmon Barreto, à disposição, para consulta.