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Pau de Binga

Distante uns 5 quilômetros da cidade, à esquerda de quem vai para o Barreiro, encontrava-se o "Pau de Binga", frondoso jequitibá, muitas vezes centenário. À sombra, os índios arachás celebravam suas vitórias, ao som de cantos guerreiros e ao ritmo bárbaro de suas danças.

Os antigos o chamavam de "Pau do Choro" e "Pau da Alegria", porque a frondosa árvore era o marco das despedidas dos que partiam e das boas-vindas aos que chegavam.

Conta a lenda que ao pé do "Pau de Binga" realizavam-se as reuniões dos Mondrongos, feiticeiros da pior espécie. As suas sessões de macumba eram muito concorridas e presididas pelo próprio demônio em pessoa. A principal festa era celebrada à meia-noite das Sextas-feiras Santas, com a participação de almas penadas, fantasmas e mulas-sem-cabeça. Gritos e gemidos horrendos, intercalados de lúgubres cantos, eram ouvidos à distância, fazendo tremer de pavor os moradores dos ranchos mais próximos. A cachaça, fervida de mistura com ossos de defuntos, penas de galinhas, pedaços de imagem, raízes de outras coisa imundas, era distribuído aos macumbeiros, que assim ficavam com o "corpo fechado" a qualquer malefício. Até de madrugada aquelas vozes rouquenhas e sinistras eram ouvidas nas suas invocações ao deus de seu culto: Satanás.

Nota: Do fruto do Jequitibá faziam-se "bingas" (isqueiros) para acender cigarros; daí o nome de Pau de Binga.

Fonte:
MONTANDON, Leonilda Scarpellini. "Vamos Conhecer Araxá", Ed. Foton, 1987, cap. XVIII, p. 61.